RESUMO EXPANDIDO

Resumo: "Dentro e fora da caixa de ferramentas da sociabilidade", segundo Bauman em Amor Líquido.


O encontro dos sexos é a porta de entrada para que cultura e natureza tenham seu primeiro contato, e através desse ponto crucial é que se deu origem à cultura. O sexo, portanto, foi o primeiro elemento de que o homo sapiens, ou seja, o homem foi naturalmente dotado, tornando-se assim atividade básica de toda cultura, e a partir daí deu-se a separação das fêmeas em categorias indisponíveis ou disponíveis para a relacionarem-se sexualmente. O papel do sexo, então, não foi acidental, ele se estende na direção do outro, exige dele sua presença e se esforça para transformá-la em união, tendo o poder de transformar o sujeito em realizado, auto-suficiente, ou incompleto e insatisfeito, a menos que este estivesse unido a outro indivíduo.

Segundo o sexólogo alemão Volkmar Sigusch, é como se Antero, irmão de Eros, este que por sua vez é visto como o gênio vingativo do amor rejeitado tivesse tomado de seu irmão o domínio do reino do sexo e nos afirma que atualmente a sexualidade ganhou um novo significado e não se resumi mais ao potencial de felicidade atrelado a prazer, assumindo assim um novo papel negativo, expresso por meio de opressão, violência, abuso, desigualdade e até mesmo a infecção mortal. Sendo assim, com o avanço das scientia sexualis, o homini sexualis sente-se em casa apenas nos laboratórios e no consultório terapêutico, sendo objetos naturais, já que "A ciência sexual, não obstante, continua a existir, porque a miséria sexual se recusa a desaparecer."
O homo sexualis, além disso, detém consigo o sentimento de ser abandonado e destituído, não tendo consigo o poder de recorrer a ninguém em busca de ajuda.
Com o passar do tempo, juntamente com os avanços cada vez mais notórios da ciência, a medicina passou a competir com o sexo e ganhou um novo viés de responsável da reprodução humana, assim os médicos adquirem novos papéis e passam a competir com o homini sexuali pelo status de autores principais de todo o processo. E a oferta de se ter filhos de acordo com os catálogos ofertados de doadores atraentes, é tentadora, afinal tem-se a chance de escolher a criança e de brinde no momento preferido, como uma espécie de mercado contemporâneo, feito por escolhas em revistas de moda ou compras pelo correio.  

No passado, procriar, ou seja, ter filhos era algo positivo, visto para os sujeitos como algo divino, afinal através destes entes, trazia-se a expectativa de melhora de bem estar da família e promoviam quando mais jovens a força do trabalho, nos espaços, como fazenda ou oficinas familiar, então quanto mais se tinham bons investimentos se faziam. Deste modo, os filhos eram acima de tudo um objeto de consumo emocional e que posteriormente foi atrelado, a uma satisfação esperada medida pelo custo e consequemente a um valor designado em dinheiro.
Contudo, junto com todos esses benefícios advindos dos progressos da ciência, as alegrias antes exaltadas da maternidade e da paternidade, são postas num pacote de temores, riscos e dores, que são acompanhadas a aquisição de um produto, que neste caso, do parto, não oferecem garantia, ou devolução do dinheiro.
O homem e a mulher estão em constante busca de escapar da solidão que temem em sofrer ou que já enfrentam, a união alcançada então, é denominada como ilusória e perpassa num breve instante como um orgasmo sexual, assimilados neste contexto ao alcoolismo e ao vício em drogas, são momentos intensos, mas periódicos e transitórios, ou seja, não são duráveis.  

Em meio à sociedade patriarcal, ao qual se viveu durante longos anos, o sexo se liberta de uma prisão, atribuída a uma ferramenta usada pelo homo faber para manter e construir as relações humanas. O casamento então pode-se afirmar é uma aceitação da causalidade que os encontros casuais se recusam a aceitar, até que esta união acabe. O sexo então ganhou também os mercados, e passou a ser comercializado, o encontro puramente sexual, que deve ser feito com proteção para que não sejam infectados pela AIDS, doença que já era prevenida antes da comercialização do prazer, que quando não de qualidade se busca a quantidade.
“O homo sexualis não é uma condição, muito menos uma condição permanente e imutável, mas um processo, cheio de tentativas e erros, viagens exploratórias arriscadas e descobertas ocasionais, intercaladas por numerosos tropeços, arrependimentos por oportunidades perdidas e alegrias por prazeres ilusórios”.

Sigusch, nos diz que o sexo e o gênero são inteiramente determinados pela cultura, e são desprovidos de qualquer caráter natural e, portanto são alteráveis, passíveis de subversão e transitórios, sendo assim, cabem ao homo sexualis determinar qual ou quais identidades sexuais melhor se ajusta a ele, ou como o tal homo sapiens, esta destinado a abraçar aquele destino traçado desde o nascimento e viva sua vida de forma que transforme-a uma sina inalterável numa vocação pessoal.







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